
Medalha de ouro de Lisboa conquistada por Maria da Fé
por ISALTINA PADRÃOHoje
Fadista celebrou 50 anos de carreira numa sala que lhe é muito querida e onde as emoções estiveram ao rubro. Houve presentes e palavras de afecto. No final, disse: 'Valeu a pena'.
Sou daqui deste povo. Foi com este fado que Maria da Fé se dirigiu ao público (o seu público) que na sexta-feira à noite a foi ver e ouvir ao Coliseu de Lisboa. Vestida de negro, a fadista foi apresentada por Júlio Isídro a uma plateia sedenta de a ouvir na comemoração de 50 anos de carreira.
Para os assinalar, foram muitos os que a brindaram com mimos, sob as mais diversas formas. O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, entregou-lhe a Medalha de Ouro da cidade de Lisboa, um troféu que Maria da Fé vai juntar aos muitos que já recebeu - o primeiro foi aos 17 anos quando ganhou o concurso "A Rainha das Cantadeiras", no Porto, sua terra natal e onde cantaria na noite seguinte (ontem).
O seu rosto estampado em tinta-da-china e uma medalha da Junta de Freguesia de Santos-o Velho, a sua freguesia, foram alguns dos presentes com que a fadista foi agraciada. Mas mais do que presentes físicos, Maria da Fé recebeu mimos repletos de sentimento.
Do fadista João Braga, que se "arrepiou" ao ouvi-la pela primeira vez, a Helena Sacadura Cabral, que lhe agradece a união da sua família de diferentes cores políticas, passando por Luís Pereira, de quem é o seu primeiro grande êxito, o fado Valeu a pena, todos elogiaram a "fadista de raça", a mulher e mãe dedicada e a sua "extra humanidade".
Mais do que um concerto, o encontro no Coliseu foi uma partilha de emoções, em que tanto Maria da Fé como o seu marido, o poeta José Luís Gordo (autor do famoso Até que a voz me doa) foram o alvo. E se este era um dos fados mais aplaudidos, foi com dois fados de Amália que Maria da Fé comoveu o público. Fado errado e Povo que lavas no rio foram a homenagem de Maria da Fé ao seu ídolo: Amália Rodrigues.
Tags: Artes, música
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